domingo, 23 de agosto de 2015

Designer propõe placas turísticas para a comunidade surda

TURISMO DE INCLUSÃO

Designer propõe placas turísticas para a comunidade surda

Projeto prevê símbolos em Libras para identificar 40 monumentos do Recife e de Olinda

Publicado em 08/02/2015, às 08h08

Cleide Alves

Exemplos de pictolibras sugeridos para as placas de sinalização turística / Arte criada por Maryna Moraes/JC sobre desenhos de Klesley Bastos e Giovana Caldas

Exemplos de pictolibras sugeridos para as placas de sinalização turística

Arte criada por Maryna Moraes/JC sobre desenhos de Klesley Bastos e Giovana Caldas

Nove anos atrás, os designers pernambucanos Klesley Bastos e Giovana Caldas elaboraram um calendário escrito em Braille, o sistema de leitura pelo tato. A dupla, agora, apresenta proposta para incluir sinais utilizados pelos surdos em placas de sinalização de pontos turísticos e culturais do Recife e de Olinda.
Com assessoria de dois surdos, eles criaram 40 símbolos baseados na Língua Brasileira de Sinais (Libras). Os desenhos, batizados pictolibras, representam a forma como o deficiente auditivo identifica o Alto da Sé, o bairro de Boa Viagem, a Casa da Cultura, o Convento Santa Teresa, o Marco Zero e o Mercado da Ribeira, entre outros locais.
A escolha dos monumentos levou em consideração a relevância do lugar, os sinais já conhecidos e as áreas de interesse da comunidade surda. “A primeira língua deles é a Libras. Levar essa língua para as placas turísticas é educativo para a população em geral, que passa a conviver com esses símbolos, e inclui o deficiente na sociedade”, comentam Klesley Bastos e Giovana Caldas.
O projeto foi selecionado pelo Fundo Estadual de Cultura (Funcultura 2013) e desenvolvido ao longo de 2014. Em dezembro passado, os designers apresentaram a proposta à Secretaria de Turismo e Lazer do Recife. “Também vamos procurar a Prefeitura de Olinda. A execução do projeto depende do interesse dos municípios”, diz Klesley.
Um a um, cada desenho era submetido aos consultores surdos Gleyde Christiane Veloso da Silva e Jadson Cristovão Rodrigues, que faziam as correções e ajustes necessários até os designers encontrarem o produto final. “Os desenhos são técnicos. Fizemos a partir das fotos que tiramos dos movimentos de mãos de Gleyde e Jadson, identificando os pontos turísticos”, explicam.
“O pictolibras é a adaptação de um sistema de linguagem bem sucedido, o pictograma (representação de objeto ou conceito com desenhos figurativos, como a mulher na porta do banheiro feminino), à Libras”, destaca Klesley. Segundo ele, o símbolo pode ser colado ao lado da palavra grafada em português. “Essa é uma alternativa, o formato vai depender de como a placa é confeccionada.”
Com projeto deles, a agenda 2015 do Centro Suvag de Pernambuco – escola bilíngue para pessoas surdas, fundada no Recife em 1976 – adicionou o nome dos meses do ano em pictolibras. “Nós já desenvolvemos trabalhos com o centro. Creio que o designer precisa se aproximar mais dos temas de inclusão e acessibilidade. A categoria foi pouco requisitada e nos ocupamos pouco da questão. Mas temos muito a contribuir com a comunidade surda”, afirma Giovana.
Psicopedagoga e professora de educação especial da rede estadual de ensino, Jaidenise Azevedo considera válida a iniciativa. “O surdo alfabetizado lê o português, no entanto uma placa sinalizada também em Libras faz com que ele se sinta incluído, além de ajudá-lo a se orientar melhor. E é sempre interessante algo novo na inclusão dos deficientes”, declara a professora.
RECIFE
A Secretaria de Turismo e Lazer do Recife recebeu o projeto com entusiasmo, mas informa que as placas de sinalização seguem um padrão determinado pelo Ministério do Turismo. De acordo com a secretaria, a proposta foi encaminhada ao Ministério e a prefeitura espera a resposta, para saber se pode ou não acrescentar os pictolibras nas peças.
De acordo com o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), há 344.206 pessoas surdas no País. Desse total, 14.217 são de Pernambuco. A Língua Brasileira de Sinais é reconhecida e aceita como a segunda língua oficial brasileira desde 2002, com a Lei Federal nº 10.436, de 24 de abril de 2002. Em 2005, por meio do Decreto nº 5.626, a Libras foi regulamentada como disciplina curricular.

O batuque que nasce do silêncio

O batuque que nasce do silêncioCom alfaias, os músicos surdos tocam ritmos tradicionais como o maracatu guiados por luzes e vibrações. A banda Batuqueiros do Silêncio é uma das atividades da Associação dos Surdos de PE

Thais Arruda - Diario de Pernambuco
Publicação: 01/08/2015 18:12 Atualização:
Para tocar na banda os surdos são guiados por luzes e vibrações. Fotos: Brenda Alcântara/Esp DP/D.A.Press
Para tocar na banda os surdos são guiados por luzes e vibrações. Fotos: Brenda Alcântara/Esp DP/D.A.Press
Nas esquinas e bancos da Avenida Conde da Boa Vista, no Recife, um grupo de pessoas surdas se reunia para conversar. Pouco antes de 1985, o grupo ainda improvisava um espaço de convivência, sonhando com o dia em que poderiam ter um lugar próprio. E conseguiram. Há 30 anos era criada a A Associação de Surdos de Pernambuco (ASSPE), além das conversas eles aproveitaram o espaço para atividades culturais. Umas delas é uma espécie de xodó de quem não ouve, mas enxerga a música. A banda Batuqueiros do Silêncio, não faz apenas barulho, mas também realiza sonhos. 

O grupo musical trouxe uma nova maneira de mobilizar a comunidade surda. A iniciativa de trazer a música para surdos partiu de Irton Silva, 42 anos, mais conhecido como Batman. “O resto é silêncio”, curta metragem brasileiro que inspirou a criação de projetos de música para surdos recifenses, também foi essencial para a base do grupo de batuqueiros.

“Em abril de 2009, eu não sabia nada de libras, mas aceitei o desafio. Quando cheguei com a proposta de levar música para surdos, percebi uma reação negativa das pessoas e uma superproteção com quem é surdo. Após aulas de teoria musical fiz o teste com o metrônomo visual”, relatou Irton Silva.

O metrônomo visual é um aparelho de madeira semelhante a uma extensão elétrica que funciona com diversas lâmpadas. Cada lâmpada tem uma cor ou intensidade diferente, o que determina a intensidade da nota musical. 

Com alfaias, os músicos tocam ritmos tradicionais como o maracatu guiados por luzes e vibrações. “Eu tinha vontade de participar de um coral de libras, mas muitas pessoas diziam que não faria sentido um surdo participar de um coral, já que não tinha som. Apesar de ter sido desmotivada eu encontrei no Batuqueiros do Silêncio meu caminho”, afirmou Karina Guimarães, 30 anos, membro do grupo. 

Hoje, cerca de 1,5 mil surdos usam o espaço para ajudar a superar as adversidades do dia a dia. “Convivendo com ouvintes eu só me comunicava através da leitura labial. Após passar um tempo na Alemanha um amigo me falou sobre a ASSPE e eu decidi conhecê-la. Ao voltar para Pernambuco fui apresentado a uma linguagem própria e a um amplo convívio social”, contou René Ribeiro, 38 anos, presidente da associação.

Estudantes da UnB fazem filme sobre comunidade surda

Estudantes da UnB fazem filme sobre comunidade surda

Criado em  21/08/15 15h45 e atualizado em 21/08/15 15h57 
Por Revista Brasília- Rádio Nacional de Brasília Fonte:EBC Rádios

Produzido por estudantes durante estudo da disciplina de Argumento e Roteiro da Faculdade de Comunicação, da Universidade de Brasília (UnB), há dois anos, o filme Cóclea conta a história de um casal de surdos, onde a moça faz um implante coclear que é um aparelho em que o surdo pode ouvir, mas a cirurgia dá problema.

O enredo se refere à polêmica do implante coclear, pois dentro da própria comunidade surda, o tema não é consenso e encontra resistências.

A diretora do Projeto Cóclea e roteirista Isabela Lima diz que a comunidade surda quase não aparece na mídia e quando aparece é de forma estereotipada e engraçada. Por isto, o filme quer mostrar a realidade deles, como são e como vivem.

A produção do filme é conjunta com Júlio Seabra e uma equipe com quase 30 estudantes da universidade e conta com recursos de doações por meio da Internet. Confira as informações sobre o filme Cóclea no áudio do Revista Brasília:

sábado, 15 de agosto de 2015

“Um olhar sobre a identidade surda” de Maria do Socorro E. Da Silva. Por Maykon Lopes


No País em que vivemos atualmente a surdez é visto como uma deficiência que exclui os indivíduos do convívio com o resto da sociedade, estes são incapazes de se comunicar oralmente não são incluídos dentro dos costumes corriqueiros da sociedade ouvinte. A LIBRAS (Língua Brasileira de sinais) surgiu como um mecanismo de identidade dos surdos, por meio desta os surdos conseguem se comunicar entre si e também com a comunidade ouvinte, isto foi uma grande conquista para todos os surdos pois até bem pouco tempo atrás eles eram obrigados a praticar a língua falada mesmo sem condições, isto era uma imposição da sociedade da época, e hoje a LIBRAS é um direito garantido por lei ao surdo, então daí a importância de que professores da rede pública e particular de ensino dominem a Linguagem Brasileira de Sinais para que o surdo possa estudar em qualquer escola.
Para o Indivíduo surdo a palavra cultura significa uma afirmação da sua identidade peculiar e específica onde se centraliza seu espaço linguístico, o surdo vive uma espécie de comunidade onde estes são social e politicamente organizados e comungando espaço também na comunidade ouvinte.
Existem alguns tipos de identidades surdas segunda Nídia Limeira de Sá (2001), a Identidade surda (identidade política )  esta está fortemente ligada comunidade surdas, possuem características regionais e carregam com si a linguagem de sinais, A Identidade surda híbrida são surdos que nasceram ouvintes e por causa de doenças ou acidentes perderam a audição, estes conhecem a estrutura do português falado, já a identidade surda embaçada é a representação estereotipada da surdez ou desconhecimento da mesma por questão cultural, estes indivíduos foram aculturados pela sociedade ouvinte e são considerados deficientes, incapazes e até retardados pela sociedade ouvinte, a identidade surda de transição são surdos oralizados mantidas numa pura sociedade auditiva como exemplo filhos de pais ouvintes que possuem o contato tardio com a língua de sinais e estão nesta transição do mundo oral para o mundo visual. Ainda segundo Nídia a identidade surda intermediária são sujeitos com a uma baixa porcentagem de surdez que preferem adotar aparelhos auditivos, treinamentos orais, amplificadores entre outros equipamentos. A identidade surda incompleta são surdos que não conseguem quebrar o poder dos ouvintes que fazem de tudo para lhes medicalizar e negam a identidade surda como uma diferença, já a identidade surda de Diáspora apresentam divergências de identidade de transição pois estes estão presentes em surdos que passam de um país para outro são características específicas.

O texto da autora tem com objetivo informar e conscientizar a toda comunidade ouvinte que os surdos devem ser respeitados por igual, não devem ser diminuídos porque não usam a comunicação oral e que se deve respeitar e aprender LIBRAS para a maior interação com os estes. Os surdos são iguais a todos apenas não se comunicam de forma oral e sim visual e cada vez mais escolas, repartições públicas devem se preocupar com os surdos, para oferecer a eles a acessibilidade e assim tornar um país mais igualitário.

Ensino da música é possível aos Surdos??

Existe um preconceito muito grande em relação a música para surdos. Muitos acham que, se há algum valor um surdo entrar em contato com música, este se deve somente ao fato de colaborar na oralização dos mesmos. Isso não é verdade, se dermos oportunidade para pessoas surdas aprenderem música, elas se interessam e muito.

Música é som? também...e som é vibração. Música é movimento?...também...e movimento é vida, é intenção, é expressão. Logo, o surdo não pode “ouvir” o que está acontecendo, mas pode sentir através da vibração e compreender através do movimento as intenções musicais.
A primeira grande dificuldade numa aula de música para surdos é a comunicação. Por isso, um professor de música, a meu ver, precisa saber LIBRAS minimamente para poder passar o conteúdo de sua aula. A segunda dificuldade é que certas expressões musicais tais como “tocar no tempo”, valor das figuras musicais, etc, são muito difíceis de serem expressas em LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) pois o vocabulário se difere MUITO do português.
Musicalmente falando, o primeiro grande desafio é fazer o surdo se concentrar e compreender a importância de se manter uma pulsação. Então, sempre começo com exercícios de concentração e pulsação. Num segundo momento introduzo a leitura rítmica musical, pois o fato de aprender a ler as figuras colabora em muito com a organização neurológica dos alunos e facilita a compreensão musical. Paralelo a esse trabalho, faço vários exercícios psicomotores e alguns para ampliar a sensibilidade tátil e “percepção” do som através das vibrações.
Questões importantes a serem consideradas na hora da aula de música é o quanto os alunos possuem ou não de resíduo auditivo e como utilizar os instrumentos musicais para maximizar a aprendizagem do aluno. Há aqueles que percebem melhor os instrumentos graves, outros preferem os agudos, pois os graves “machucam” o ouvido. Muitos alunos apesar de serem surdos possuem hipersensibilidade auditiva e isso quer dizer que são hiper sensíveis a determinados sons. O professor precisa estar atento a isso, pois expor um aluno desses a muito som pode fazer com que ele perca o pouco que possui de resíduo auditivo.
Outra questão importante é quanto ao aparelho auditivo. Muitos acreditam que se o aluno usar aparelho está tudo resolvido. Muito pelo contrário, em minhas aulas de música geralmente os alunos que utilizam aparelho os tiram na hora da aula, pois a função do aparelho é ampliar a “sensação” auditiva do som ao redor e não fazer a pessoa ouvir. Sendo assim, na aula de música o aparelho as vezes atrapalha pois confunde a pessoa se houver por exemplo, vários instrumentos sendo tocados ao mesmo tempo.
Enfim, a aprendizagem musical por parte do surdo também precisa ser discutida no universo pedagógico musical. Esse é um campo ainda pouco explorado no Brasil. O que não podemos esquecer é que se música é importante para TODOS então é importante também para os surdos.

Veja outra matéria relacionada ao assunto:
http://revistaescola.abril.com.br/formacao/alunos-surdos-cantam-dancam-interpretam-aula-arte-611922.shtml?page=1

Cada vez mais pessoas estudam LIBRAS

O numero de pessoas que veem aprendendo LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) está aumentando cada dia mais, isso é muito importante, pois é uma forma de incluir pessoas com deficiência na sociedade. A inclusão vem tomando força cada vez mais, a realidade é esta, e é inegável e deve acontecer. O uso de LIBRAS, não é unicamente importante por isso; paras os deficientes que utilizam esse método para comunicar-se, é como uma nova porta de conhecimento que se abre para eles, e os tornam iguais a todos, assim essa linguagem de sinais funciona, como mais uma forma de unir o ser humano.
O estudo de LIBRAS é de extrema importância pois é partir dela que damos a acessibilidade a comunidade surda de comunicar entre si e também entre a comunidade ouvinte. Na atual sociedade, existem muitos preconceitos de várias formas, e um deles é o preconceito com o deficiente auditivo, pois este muitas vezes não tem acessos a serviços importantes ou a entretenimento de qualidade, a LIBRAS ela proporciona muito da comunicação entre surdos e a comunidade ouvinte.
https://www.youtube.com/watch?v=ZfoxJw48EKg


Este link do youtube, mostra sobre 8 filmes que foram lançados, falando sobre a surdez.


Ass: Lucio CLeano Carvalho Batista
https://www.youtube.com/watch?v=lRVqs8m5RoQ



Este Link e do Filme A Família Bélier,onde trata a historia de uma menina que nasceu numa família surda, ela ajuda a sua família , mas fica dividida entre seu sonho e sua carreira de cantora, o filme é muito bom , da uma grande lição de vida.



Ass: Lucio Cleano Carvalho Batista
http://enflibras.blogspot.com.br/



Este blog, fala sobre o alfabeto manual em vários idiomas de Línguas de Sinais.

Ass: Lucio
CLeano Carvalho Batista
https://www.facebook.com/EnsinoLibras


Esta pagina do Facebook, fala sobre onde encontramos cursos de Libras pelo o Brasil, todo dia coloco o nome de alguém na língua de sinais, alem de frases , videos , etc


Ass: Lucio Cleano Carvalho Batista

Libras

Você sabe o que é a Libras?

Libras. Fonte: Google Imagens

Língua Brasileira de Sinais (Libras) é a língua natural* dos surdos brasileiros, reconhecida pela lei 10.436, de 24 de abril de 2002, que diz o seguinte:
                    
 Art. 1o É reconhecida como meio legal de comunicação e expressão a Língua Brasileira de Sinais - Libras e outros recursos de expressão a ela associados.                                                                                                           
 Parágrafo único. Entende-se como Língua Brasileira de Sinais – Libras a forma de comunicação e expressão, em que o sistema linguístico de natureza visual-motora, com estrutura gramatical própria, constituem um sistema linguístico de transmissão de ideias e fatos, oriundos de comunidades de pessoas surdas do Brasil. (BRASIL, 2002, p. 1)          


Cada país possui sua língua de sinais específica, ou seja, a língua de sinais não é uma língua universal, como a maioria das pessoas pensa. Dessa forma, nos Estados Unidos é utilizada a ASL (American Sign Language), na França a LSF (Língua de Sinais Francesa), em Portugal a LGP (Língua Gestual Portuguesa), e assim sucessivamente. Além disso, existem as chamadas variações linguísticas dentro de um mesmo país, da mesma forma que acontece com as línguas orais: um surdo do Rio de Janeiro utiliza alguns sinais diferentes de um surdo de São Paulo, por exemplo. Veja a imagem abaixo:



Variação Regional. Fonte: Google Imagens.

A imagem acima apresenta uma variação regional, em que o sinal VERDE é realizado de maneira diferente no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Curitiba.
A Libras não é dependente da Língua Portuguesa, portanto, a "fala" dos surdos não é o "português sinalizado", já que as línguas de sinais possuem sua gramática e estrutura próprias (fonética, fonologia, morfologia, sintaxe e semântica). Isso está diretamente relacionado ao fato de as línguas de sinais não serem linguagens, mas sim línguas, já que através delas se pode falar a respeito de qualquer assunto, conceito, sentimento, etc., além de ser possível a comunicação entre os seus falantes. Assim, não devemos compará-las a simples gestos ou mímicas, já que elas não são limitadas em nenhum aspecto. Então, os surdos se comunicam através de sinais, que funcionam como as palavras das línguas orais.

Os falantes das línguas de sinais são os Surdos e não devem ser tratados como "surdos-mudos", "mudinhos", ou outras formas pejorativas que existem. Além disso, há uma diferença entre osurdo, com "s" minúsculo (aquele que não participa da comunidade surda, não usa a Libras, não compartilha da Cultura Surda, etc., e que acaba sendo somente uma pessoa com deficiência auditiva) e o Surdo, com "S" maiúsculo (aquele que usa a Libras, participa ativamente da comunidade surda, tem sua cultura própria, luta por seus direitos e não aceita ser tratado como um deficiente, mas sim como diferente).

Assim como o alfabeto que é utilizado nas línguas orais, a Libras possui seu alfabeto próprio, chamado de alfabeto manual ou datilologia. Este alfabeto é utilizado para escrever nomes próprios, de cidades, endereços, etc., para dizer alguma palavra que ainda não possua sinal, ou que a pessoa não saiba o sinal e, também, em alguns sinais que são empréstimos do Português como, por exemplo, os sinais de S-U-C-O e B-A-R. Além do alfabeto, também há o sistema numérico. Seguem abaixo o alfabeto e os números em Libras:


Alfabeto Manual da Libras. Fonte: Google Imagens

Números da Libras. Fonte: Google Imagens

Porém, deve ficar claro que a Libras não é composta apenas por palavras do português "digitadas" através do alfabeto manual. Como foi citado acima, esse alfabeto é utilizado em situações específicas, já que a comunicação por meio dessa língua se dá por meio dos sinais que a compõem.


As línguas de sinais não são línguas ágrafas, ou seja, elas possuem alguns sistemas de escrita que foram criados por especialistas e estudiosos da área. O mais conhecido é o sistemaSignWriting. Saiba mais a respeito deste sistema na página Escrita de Sinais do nosso Blog.


SignWriting. Fonte: Google Imagens

A partir desta pequena explicação sobre o que é a Libras, você já pode perceber o quanto a Libras é importante e deve ser respeitada como língua materna dos surdos. Nós ouvintes temos o dever de aceitar o surdo em suas diferenças e de aprendermos a Libras para nos comunicarmos com eles, nem que seja somente o básico. Assim, eles serão realmente incluídos na sociedade e terão seus direitos garantidos.


*"O termo língua natural é usado para distinguir as línguas faladas por seres humanos e usadas como instrumento de comunicação daquelas que são linguagens formais construídas" (CONLANG, s.d., p.1).


Fonte: 

BRASILLei n° 10.436, que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais – Libras e dá providências.Brasília: 2002. 1 p. Disponível em:  <<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10436.htm>>. Acesso em: 05 ago. de 2013.

LÍNGUA NATURAL: Conlang. Disponível em: <<http://pt.conlang.wikia.com/wiki/L%C3%ADngua_natural>>. Acesso em: 05 ago. 2013.


Texto escrito por Eva dos Reis Araújo Barbosa, no dia 05 de agosto de 2013 e atualizado no dia 17 de junho de 2014.

Cultura e Literatura Surda

Literatura Surda: meio essencial de divulgação da Cultura Surda


Literatura Surda. Fonte: Google Imagens.


Existe uma Cultura Surda? Essa é uma pergunta comum, feita pela maioria das pessoas que desconhecem a comunidade surda e sua história. Segundo Bernardino (2010, p. 2), “a cultura surda está diretamente relacionada ao uso da LS. A língua é um fator de identificação do sujeito, e não é diferente entre os surdos”. Dessa forma, a língua de sinais é um símbolo de identidade e de luta dos surdos, sendo também um meio de interação social e de compartilhamento de experiências, crenças e valores (BERNARDINO, 2010, p. 5).
Bernardino (2010, p. 3-5) também cita outras características que fazem parte da Cultura Surda, são elas:

* a existência de clubes e associações de surdos;

* a valorização do compartilhamento de informações;

* ser direto no que diz, sem “rodeios”;

* estarem juntos e participar de atividades sociais e esportiva juntos;

* valorização do contato físico: abraço, o toque, etc.;

*o sinal-nome, que é um nome de batismo dado pela pessoa surda e que, geralmente, tem a ver com uma característica marcante da pessoa ou a primeira letra do seu nome, etc.

Segundo Karnopp (2006, p. 100), “a literatura do reconhecimento é de importância crucial para as minorias linguísticas que desejam afirmar suas tradições culturais nativas e recuperar suas histórias reprimidas”. Dessa forma, a Literatura Surda é um meio muito utilizado pela comunidade surda para difundir e defender sua cultura na sociedade.




Fonte: MORGADO, 2011, p. 29.


As Literaturas Surdas podem ser definidas como “aquelas que são contadas em língua de sinais[1], sejam frutos de tradução ou não, podendo ter um tema relacionado com surdos ou não”. Ela não precisa ser contada exclusivamente em língua de sinais, ou seja, ela também pode ser escrita, porém, o tema deve ser relacionado aos surdos (MORGADO, 2011, p. 21).
O surgimento da Literatura Surda se deu de maneira natural nos países, ao mesmo tempo em que a língua de sinais começou a ser usada pelos surdos. Esse nascimento aconteceu inicialmente em escolas de surdos, onde a comunicação entre crianças e jovens surdos ocorria, na maioria das vezes, às escondidas, já que o uso da língua de sinais foi proibido durante muitos anos (MORGADO, 2011, p. 27).



Fonte: MORGADO, 2011, p. 14.

A Literatura Surda, quando realizada através de sinais, utiliza-se de vários recursos próprios das línguas de sinais. De acordo com Rosa & Klein (2009, p. 3), “os sinalizantes contam as histórias em Língua de Sinais os quais produzem os classificadores, expressões corporais e faciais que são recursos linguísticos altamente visuais”.
O meio mais utilizado para a divulgação da Literatura Surda sinalizada é o site doYoutube. Segundo Rosa & Klein (2009, p. 4):


No site da internet Youtube é onde encontramos a maioria dos vídeos em língua de sinais com diversas histórias, piadas e os mais variados tipos de informações e histórias registrando a literatura surda. Em um simples acesso podemos encontrar uma vasta listagem com estes vídeos.


Apesar de ser algo extremamente importante para a difusão da Cultura Surda e para a afirmação da identidade surda, a Literatura Surda é pouco investigada e é muito difícil encontrar livros, artigos ou estudos que tratam desse assunto (MORGADO, 2011, p. 29).



Tipos de Literatura Surda


Literatura Surda. Fonte: Google Imagens.


A Literatura Surda é composta por “histórias, contos, lendas, fábulas, anedotas, poesia, jogos, piadas e caricaturas” (BAHAN et all, 1996, apud MORGADO, 2011, p. 24), sendo alguns deles pensados exclusivamente para serem representados através da língua de sinais e não de maneira escrita, já que através da tradução pode-se perder o valor da mensagem.
Segundo Karnopp (2008, p. 6):


Surdos reúnem-se frequentemente para contar histórias e, entre as preferidas, estão as histórias de vida, as piadas e aquelas que incluem elementos da cultura surda, com personagens surdos, com tramas que, em geral, envolvem as diferenças entre o mundo surdo e o ouvinte. 


O humor é uma característica muito forte na Literatura Surda, sendo necessário ser fluente na língua de sinais para conseguir compreender algumas de suas sutilezas linguísticas (MORGADO, 2011).  Segundo Morgado (2011, p. 54), é possível distinguir cinco diferentes formas de humos na Literatura Surda, são elas:


1.      Imitação de filmes, de pessoas, de animais, de objetos que possam ser incorporados e retratados a partir de expressões corporais e faciais;

2.      Brincadeiras com configurações do alfabeto ou dos números, em que o contador pode criar uma história a partir delas;

3.      Brincadeiras com o movimento;

4.      Brincadeiras com temas tabu;

5.      Anedotas que vão passando de mão em mão e de país para país, entre os surdos.


A poesia em língua de sinais possui uma forte ligação com o poeta surdo, já que ela reflete sua identidade e espelha seus sentimentos (MORGADO, 2011). Outra forma de Literatura surda é a tirinha, que “é uma das formas literárias preferidas pela comunidade surda, sobretudo devido ao seu caráter visual e menor recurso à língua escrita” (MORGADO, 2011, p. 22). Há também os livros infantis para surdos, as narrativas autobiográficas de surdos e alguns clássicos adaptados e traduzidos para o sistema de escrita SignWriting (para saber mais sobre esse sistema clique em:http://nomundodalibras.blogspot.com.br/p/escrita-de-sinais.html ).



[1] Na versão original do texto de onde foi retirada essa citação, a autora utilizou a expressão “línguas gestuais”, por se tratar de um livro escrito em Portugal, país onde os surdos utilizam a Língua Gestual Portuguesa (LGP). Optou-se por utilizar a expressão “língua de sinais” para fazer correspondência com a língua utilizada pelos surdos brasileiros, a Língua Brasileira de Sinais (Libras). Essa adaptação será feita sempre que necessário no decorrer do texto.



Fonte:

BERNARDINO, Elidéa Lúcia Almeida. Cultura Surda (Texto elaborado para uso nas disciplinas “Fundamentos de Libras” e “Libras I”). Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 10 set. 2008.


KARNOPP, Lodenir Becker. Literatura Surda. Material elaborado para uso na disciplina “Introdução aos Estudos Lieterários”, do curso de Licenciatura em Letras-Libras, na modalidade a distância. Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2008. Acesso em:  08 dez. 2013. Disponível em: <<http://www.libras.ufsc.br/colecaoLetrasLibras/eixoFormacaoEspecifica/literaturaVisual/assets/369/Literatura_Surda_Texto-Base.pdf>>.

MORGADO, Marta. Literatura das Línguas Gestuais. Lisboa: Universidade Católica Editora, 2011.

ROSA, Fabiano Souto; KLEIN, Madalena. Literatura Surda: marcas surdas compartilhadas. CIC, 18, ENPOS, 11, MOSTRA CIENTÍFICA, 1, 2009, PelotasAnais... Rio Grande do Sul, Universidade Federal de Pelotas, 2009, p. 1-5. Acesso em: 08 dez. 2013. Disponível em: << http://wp.ufpel.edu.br/fabianosoutorosa/files/2012/04/CIC-2009-UFPel.pdf>>.